sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Estou vivo


Na última terça estava a caminho de Seropédica, cidade onde estudo e passo a maior parte da semana e, para isso, precisava pegar um ônibus no bairro de Campo Grande. Como de praxe, desci no terminal do bairro em direção ao destino. Porém, em vez de seguir diretamente para o ponto, resolvi passar na banca de jornal que conhecia ali perto. Estava atrás da edição de outubro da Rolling Stone, que trazia a lista das 100 maiores músicas brasileiras. Na banca, a revista ainda não tinha chegado, mas conversei um tempo com o jornaleiro. Aliás, sou amigo de todos os jornaleiros que conheço. Pois bem, segui para o ponto, peguei o ônibus e, no caminho, vi um grande tumulto: um Fiat Uno todo perfurado de tiros com alguém dentro. Pouco depois, fui saber que o crime tinha acontecido alguns minutos antes de eu passar pelo local. Ou seja, talvez se eu não tivesse parado na banca atrás da revista, eu poderia estar passando no meio do fogo cruzado.
Hoje pela manhã, fui ao médico, cujo consultório fica quase ao lado do Bangu Shopping. Na saída, em vez de pegar meu ônibus de volta para casa, resolvi ir ao shopping atrás da revista. Lá, comi uma porção de pão-de-queijo (que em breve cortarei do meu cardápio) e comprei a revista que eu tanto queria. Quando saí peguei meu ônibus e, ao passar pelo bairro Jardim Sulacap, mais um caso parecido: dessa vez, uma S10 prata baleada e muito tumulto em volta. Pelo que li, nos dois havia um envolvimento com milícias.

Na mesma semana, eu poderia ter passado no meio de tiroteios, mas alguma coisa evitou isso. O mais evidente foi minha busca pela Rolling Stone. Mas para quem crê em Deus, tantas explicações...

*Foto: capa da Rolling Stone Brasil, Spring Publicações

domingo, 4 de outubro de 2009

Espelho

A minha insegurança te seduz
E quanto mais eu corro
menos quero parar
E minha insegurança te conduz
Mal sabe que eu morro
Morrendo corro, não posso parar

E minha loucura te alivia
Quanto mais me asfixia
Mais te vejo celebrar

Se eu corro tão depressa
Você sem tanta pressa
Sabe que vai me derrubar

E aquele meu brilho perdido
Não foi de todo esquecido
Mas nem sempre vi brilhar

No espelho a melancolia
que nem sequer te contagia
O espelho há de se quebrar

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Rio 2016




Rio de Janeiro 66 x 32 Madrid

Como bom carioca, não poderia deixar de exaltar meu amor à cidade e demonstrar toda minha satisfação e felicidade por esse resultado.

sábado, 5 de setembro de 2009

Dindi

Lanny Gordin-02-Dindi - Gal Costa by marco_sa

Subiu as escadas sem sentir as passadas. Era como uma dança flutuante. Ao entrar, pendurando as chaves, o chacoalhar das mesmas mais parecia música. Fazia tanto calor aquela noite e, mesmo assim, não saiu arrancando as pesadas calças jeans e o blazer, como de praxe. Pôs-se a ouvir um tal Tom Jobim e da varanda, a admirar as nuvens que passavam ligeiras.
Abriu a última garrafa de água da geladeira e, em vez de beber, enxergava aqueles olhos dentro do copo. Pareciam o reflexo dos seus, mas não era. Acendeu um cigarro e, depois do primeiro trago, a fumaça que passeava à meia-luz traziam à tona aquela voz, leve e macia.
Não sabia seu nome, nem se deu ao trabalho de perguntar. Não por falta de interesse, muito pelo contrário. Ao vê-la pela primeira e única vez, encontrava-se perdidamente hipnotizado por aquela moça, que conseguia ser tímida e engraçada, tamanha sua naturalidade. Ele, que gostava de falar, tomar partido nas conversas, foi o melhor ouvinte que jamais se julgou capaz de ser. O tempo que passaram dentro da barca que fazia o trajeto Rio - Niterói foi capaz de construir um encanto mútuo. Uma prova disso foi que nem perceberam quando a embarcação parou no meio da Baía de Guanabara, por problemas técnicos.
E chegou a hora da despedida. E nem sequer trocaram telefones. Ele só pensava em ficar, esperava que ela o levasse para onde fosse. Para ele, ela era a coisa mais linda que existe. Se é que existe.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Democracia?

democracia
(grego demokratía, -as, governo do povo)
s. f.
1. Governo em que o povo exerce a soberania, !direta ou indiretamente.
2. Partido democrático.
3. O povo (em oposição a aristocracia).


Recentemente, Dácio Vieira - desembargador do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios - proibiu o jornal Estado de S. Paulo, mais conhecido como Estadão, de veicular notícias que envolvam a Operação Faktor (ou Boi Barrica), da Polícia Federal, na qual está envolvida a família Sarney. O fato teve ampla repercussão e condenação por boa parte da população. A exceção, claro, reside nos que foram negativamente afetados pelo ocorrido.

Mas quero ir um pouco além. Outros resquícios de sistemas autoritários são praticados até hoje e, ainda assim, pouco discutidos. A começar pela famosa A Voz do Brasil, noticiário público que vai ao ar diariamente em praticamente todas as emissoras de rádio do país. O programa passou a ser transmitido em 1935 e tornou-se obrigatório três anos mais tarde, no governo do ditador Getúlio Vargas, na época como Hora do Brasil.
Até meados da década de 1960, eram transmitidas apenas notícias do Executivo, quando em 1962, incluíram o Congresso na programação. Finalmente em 1971, por determinação do militar Garrastazu Médici, o programa ganhou o nome que ostenta e tortura até hoje nas rádios abertas do Brasil, privando-nos da liberdade de escolha, já que mudar de estação não resolve.

Em 2010 poderemos eleger um novo presidente, renovar um terço do Senado, escolher governadores, deputados, etc. Alguns, como eu, exercem esse direito, acreditando mesmo que alguma coisa pode mudar. Escolhendo conscientemente representantes, sem troca de favores ou outras coisas ilícitas. Não só poderemos escolher, deveremos. O voto não é só um direito, é também uma obrigação, que vem desde a Revolução de 1930, quando Getúlio (sempre ele) assumiu o poder.
Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, o número de votos facultativos aumentou em cerca de um milhão em 2008, em relação às eleições de 2006. O que reforça a discussão da não-obrigatoriedade de votos. Acredito que a faculdade do voto permite uma escolha mais consciente, independente da orientação política. Talvez, se o voto fosse facultativo, o resultado das eleições municipais poderia ter sido outro. É o que dizem...

Acho que esses e outros assuntos inerentes à nossa liberdade merecem maior discussão. E você, acredita na nossa Democracia?

Contexto

Nos últimos meses eu reduzi bruscamente a frequência com que atualizo o blog. Os motivos são vários, desde o calendário acadêmico até a intensificação dos estudos musicais. Não tenho escrito quase nada que se aplique ao contexto do blog - poesia e contos. Então, resolvi dar um upgrade e ampliar os horizontes. Não dá para ficar criando versos diariamente com a vida que levo, mas é possível opinar sobre as coisas que me cercam. Agora quero falar também de política, de música, Rio, Brasil... mundo. Não quero fazer disso um diário. Dificilmente começarei um post com "Querido blog" (rs), mas vou me permitir ser mais presente e meus leitores conhecerão um lado mais real de quem está por trás deste espaço, mais além da poesia, no entanto sem abandonar o que me trouxe até aqui.

Bem vindos ao novo contexto.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Do que eu preciso

é doce olhar nos seus olhos
me clareia o seu sorriso
o vermelho dos seus lábios
é tudo que eu preciso

se a vida é feita de sonhos
não preciso de juízo
o conforto dos seus ombros
é tudo que eu preciso

é torpe seguir seus passos
se o futuro é impreciso
mas se me tenho em seus braços
não preciso de juízo

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Porto seguro

Vendo você cair no sono
eu me sinto assim, seu dono
mesmo não sendo de ninguém

E dentro deste quarto escuro
sendo você, porto seguro
já tenho medo de lhe perder

Tento não cair no sono
Pois acordado é que sonho
E sonhar é o que me convem

Por um pecado, vaidade
Já prevejo minha saudade
Tristes noites sem você

Em uma noite estou seguro
Sem passado, sem futuro
Mas já vai amanhecer